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Somos consumidores ou estamos sendo consumidos? Desde a época do escambo, consumimos. No entanto, atualmente, o consumismo é de vários tipos. E é a mídia quer promove essa vontade de consumir. Na universalização da felicidade, todos nós podemos lutar para ser feliz. E esse sentimento não está ligado ao que se consome, mas sim ao que verdadeiramente se sente.
A possibilidade de buscar a felicidade não deve estar nas coisas físicas. Entretanto, o consumismo continua crescendo em um mundo de recursos cada vez mais escassos. E a mídia, o governo e as empresas têm algo a ver com isso. O consumidor atual busca consumir para ser. As próprias crianças consomem para serem notadas.
É o poder da mídia. Incomensurável. Mas que, ao mesmo tempo, temos todas as possibilidades de escapar.
O preço de cada produto contempla o investimento feito em publicidade. Muito dinheiro é investido em marketing, mas usa-se mal essa verba, porque é possível fazer campanhas que modifiquem o mundo. Os publicitários não cumprem a sua função de comunicar. Eles não refletem sobre o papel social, público e educativo de seu trabalho.
A publicidade não pode estar sempre projetando o mundo ideal, pois assim os consumidores não se sentirão representados. Viver somente no mundo da fantasia cansa as pessoas e a publicidade tentar se aproximar do cotidiano dos consumidores para atraí-los a consumir o produto.
O jornalismo também tem a sua forma demonstrar poder. O chamado “Quarto Poder” é a capacidade que a mídia em geral tem, que está vinculada diretamente ao jornalismo. Faz alusão aos poderes do Estado Democrático.
Através do agenda-setting, os meios de comunicação determinam a pauta quer será discutida pela opinião pública. Ao descartar temas e priorizar outros, eles acabam gerando um tipo de agendamento comercial, a fim de vender mídia.
Outra teoria é o chamado espiral do silêncio, que parte do pressuposto de que as pessoas têm medo de se sentir isoladas em relação à opinião majoritária, que em grande parte é determinada pela mídia.
Às vezes, descansamos pensando no trabalho. Estamos preparados para produzir e ficamos frustrados quando não estamos “ativos”. Não estamos e nem queremos nos acostumar com o ócio. O tempo se acelera de uma maneira impressionante. Nos últimos anos, todas as novidades surgidas têm a ver com as novas tecnologias, com aceleração e rapidez. Estamos na era da imagem, na sociedade do espetáculo. Onde o que mais chama atenção é a hipertrofia.
No nosso mundo veloz, temos medo de parar, de sermos ultrapassado e do vazio. O objetivo das novas gerações é produzir, mostrar e trabalhar. Temos que ter a organização necessária para administrar o nosso tempo. Administrar está longe de preguiça. É simplesmente ter tempo para produzir e outro tempo para descansar ou simplesmente não fazer nada.
Ainda com Zygmunt Bauman, a explicação de modernidade líquida se opõe à modernidade sólida. Toda propriedade sólida, atualmente, se refere à perda de tempo. Hoje, cada vez as coisas ficam menores e realizam funções diversas. Antes o poder se mostrava. Agora, ele se esconde. O poderoso é quem tem uma marca forte, algo leve, que está no campo da imaginação.
A marca do nosso mundo é a velocidade. O computador e a internet são ícones da modernidade líquida. A sociedade moderna se caracteriza pela incapacidade de manter a forma, ou seja, ela se adapta às mudanças, que são sempre muito rápidas. Nossas instituições, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificarem em costumes e hábitos.
Otávio Ianni cunhou o termo “Príncipe Eletrônico”, inspirado na obra de Maquiavel. Na opinião de Ianni, atualmente o poder não pertence mais aos governantes ou ao príncipe. O organizador político passa a ser a mídia. Ela seleciona, enfatiza, esquece e sataniza o que poderia ser a realidade e o imaginário. A mídia dos dias de hoje expressa a idéia dominante do mercado, priorizando a fidelização do consumidor.
Outra característica do mundo moderno é que vivemos a era das imagens. A profusão dessas representações faz com que haja o risco de pautarmos o nosso conhecimento na idéia de simulação. Não há mais a experiência a partir do real, mas apenas no campo das idéias, no contato indireto.
A partir das experiências indiretas, a cultura globalizada americana passa a ser a marca do consumo, o objetivo de todos que querem estar no mercado. Seja na língua, na moeda ou no entretenimento, a intenção da “Cultura McWorld” é dominar. E a conquista se faz culturalmente, centrada no poder do mercado, do consumo e do entretenimento.
Essas cultura não aceita os “atrasados”, ou seja, quem não acompanha o progresso mundial, e os que sonham com um mundo mais justo para todas as pessoas. O McWorld está muito ligado ao visual. Não há tempo para contemplar, somente espaço para imagens frenéticas. Nos tornamos consumidores de um produto pelo seu status e não pela sua qualidade.
Há quase que uma busca espiritual para seguir uma marca. Existem relacionamentos espirituais com os consumidores. O marketing entra nesta jogada para fidelizar o consumidor. Com a quantidade de produtos que cobrem a mesma necessidade no mercado, aparece a necessidade de diferenciação num contexto de mesmice. Mais que vencer produtos, o marketing, precisa vender idéias.
O ponto de vista epistêmico nos faz contemplar diferentes saberes, o que se opõe ao dogmatismo, à idéia de causa e efeito, ao reducionismo, ao pensamento de certeza e ao racionalismo. A discussão nos leva à complexidade, aos saberes plurais e ao pluralismo. O verdadeiro conhecimento gera compreensão, ou seja, abraça diferentes pontos de vista. Ele dialoga com o diferente e o respeita.
Cunhado por Zygmunt Bauman, o termo “Modernidade Líquida” explica e se refere ao tempo da agilidade, das operações velozes, da flexibilidade e da leveza. A característica da modernidade é a velocidade. A idéia do tempo atual leva em conta o nosso ritmo de vida, em todos os âmbitos.
Fora do mercado, na modernidade líquida, não há salvação. As pessoas começam a buscar sentido para a vida pelo consumismo. É necessário consumir, mesmo que não haja condições financeiras para isso.
Na modernidade líquida, a idéia de pertencimento a uma cidade ou cultura não existe. O que cresce é a classificação em função a estilos e gostos comuns. Os estilos de vida se sobrepõem às identidades clássicas. E a mídia adere ideologicamente a todas essas características de consumo e, através da globalização, conecta o mundo em torno dessa idéia. A aposta no global, atingir a maior quantidade possível de pessoas.
Estamos acostumados a pensar em Macropoder, mas deixamos de valorizar a capacidade do Micropoder, que é composto por seres pensantes, que têm vontades e interesses. A vida está longe de ser uma simples relação entre dominante e dominador. Ao contrário do que prega o senso comum, a mídia não é capaz de tirar a capacidade das pessoas de pensar e decidir. Será que somos formatados, enquadrados, alienados e triturados pelo poder incomensurável da mídia?
Toda pessoa forma a sua opinião de acordo com seus conceitos. O conhecimento é gerado pelos diferentes (e muitos) lados de um acontecimento, que está rodeado por diferentes pontos de vista. Existem múltiplas opiniões sobre um mesmo fato. Nunca há uma resposta fechada, devemos fugir da perspectiva reducionista.
O conhecimento deve trabalhar com mais “talvez” e menos “portanto”. O primeiro termo nos leva à compreensão, desde que seja bem trabalhado. O segundo equivale à verdade, conclusão e certezas. Há que se trabalhar com as possibilidades, movimentos e dinamismo.
Para tudo na vida é necessário ter uma visão com diferentes perspectivas. No diálogo, é preciso ouvir todos os pontos de vista e estratégias para resolver um determinado problema. Evitar a unilateralidade é a chave para fugir do reducionismo.