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Parafraseando o ditado medieval que vaticinava que “fora da Igreja não há salvação”, hoje, fora da mídia não há salvação. Os meios de comunicação se tornaram alvo de muitos interesses e estar dentro desse jogo é a garantia de que se terá visibilidade e, através disso, poder. Mesmo os mais capazes, se não estiverem inseridos dentro desta lógica não conseguirão sucesso.
A televisibilidade se caracteriza por tipos combinados de comportamento em frente à câmera, gestos familiares aos telespectadores e mudanças rápidas e bruscas, que sejam capazes de prender o público e não deixá-lo entediado. Esses “mandamentos” devem ser dominados por quem quer aparecer e se manter no vídeo, sob pena de ser deixado de lado e perder a posição social que só meios de comunicação podem dar.
O fascínio pela televisão e pelo status que ela pode oferecer a quem aparece na tela não se restringe a uma classe social apenas. Antes, era necessário trabalhar para ser famoso. Atualmente, é preciso ser famoso para trabalhar.
E esse objetivo pode ser notado em diversos exemplos a cada dia que passa. Advogados que lutam para aparecer mais que os outros em casos de grande repercussão na mídia. Policiais que dão informações que deveriam ser sigilosas e que ainda não foram totalmente esclarecidas. Políticos que plantam notícias na mídia a partir de interesses próprios. Pessoas anônimas que querem aparecer de qualquer maneira no vídeo e não medem esforços para tal.
Os meios de comunicação têm como característica principal a de dar voz a qualquer pessoa, a partir de seu viés democrático. Mas será mesmo que eles, em especial a televisão, se interessam por aqueles que não possuem a tal televisibilidade e que realmente merecem ter a sua história contada?