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A grande característica do mundo em que vivemos atualmente é a velocidade. O nosso estilo de vida, em todos os âmbitos - social, político e econômico – sofreu uma sensível aceleração. Nossos estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar e se tornar costumes e hábitos. A mídia acompanha essa lógica, através de uma grande gama de informações e, no caso específico da televisão, com uma impressionante sucessão de imagens. E este veículo vai ainda mais longe, pois tal ritmo se sobrepõe à capacidade do telespectador interpretar o seu conteúdo.
As imagens passam na televisão uma após a outra, sem que haja tempo para uma reflexão sobre o que foi narrado. As histórias são fragmentadas, com início, talvez com meio, e certamente sem fim. O meio não permite a continuidade e deixa de elaborar uma narrativa completa sobre os fatos. Isso se explica pelo ritmo televisivo, já que imagens e sons se misturam e se unem uns aos outros.
Para conquistar e manter a fidelidade de seus telespectadores, a televisão aposta na baixa complexidade das pautas. Notícias que envolvem discussões políticas ou interesses comerciais, por exemplo, não são explicados, pois não há tempo hábil e interesse do público.
Da mesma forma, o meio sustenta a audiência através das informações de alto impacto. O veículo se concentra em noticiar fatos que envolvam pessoas públicas em situações grotescas. Quanto maior for a proporção da tragédia, maior será o interesse. Tais detalhes são levados em conta no momento de selecionar, enfatizar e organizar uma notícia.
Caso algumas dessas características sejam esquecidas, a TV estará fadada ao fracasso, ou seja, à perda da audiência. O ritmo é essencial para a televisão. O silêncio e o preto e branco devem ser evitados. A seqüência de imagens fortes, de vibrações e de ruídos tem que estar presentes, para que a audiência não se sinta entediada e não mude de canal. O risco de perder parceiros comerciais (recursos financeiros) deve ser evitado ao máximo e esse receio reflete na repetição de modelos que sempre deram certo na televisão. A previsibilidade diminui as possibilidades de novas experiências, improvisações e do inesperado.
Tais distinções são importantes no meio apenas quando se referem às gravações ao vivo. A TV está sempre em busca deste recurso, que dá a impressão ao telespectador de estar vivenciando o fato através das lentes da câmera, sem nenhuma manipulação.
A marca da modernidade continuará sendo a aceleração. As novas tecnologias cada vez mais aderem a este ritmo de vida e, portanto, a televisão terá que manter a velocidade da notícia, da imagem e do som. Cabe ao meio achar uma forma de informar com qualidade o seu público, dando oportunidade para que ele possa refletir sobre o que vê e questionar o imenso turbilhão de conteúdos que tem contato diariamente.