| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 |
A velocidade em que recebemos informações, sejam elas de quaisquer fontes, é altíssima. Nunca antes havíamos tido acesso aos fatos com tamanha rapidez como atualmente. Entretanto, na maioria dos casos, a experiência da realidade que nos rodeia é tomada de uma forma indireta. A vida, acompanhando o ritmo veloz de publicação de notícias e imagens, também se desenvolve de maneira mais frenética. Cada vez temos menos tempo para experimentar o novo através das nossas próprias sensações.
A realidade que nos envolve é informada pela TV, jornal impresso, internet, cinema e rádio. Por isso, devemos sempre questionar a informação que recebemos, mesmo sabendo que logo após ler um relato, outro virá em seguida, o que caracteriza o bombardeio de informações que estamos sofrendo.
O jornalista, por sua vez, também deve questionar a sua visão sobre o fato e desconfiar da objetividade do seu trabalho. Um acontecimento é sempre rodeado por diferentes lados ou pontos de vista. Cada pessoa forma uma opinião de acordo com a sua cultura e o repórter tem que estar consciente de que nunca conseguirá ser objetivo, mas terá que lutar para se aproximar ao máximo desse conceito.
Para tal, ele deve evitar uma visão reducionista e dialogar com as múltiplas opiniões, já que a objetividade pode se aproximar através da união das diversas visões de mundo inseridas num mesmo contexto.
O mesmo acontece com a fotografia, tida como um espelho da realidade. É difícil desconfiar de uma imagem, mas é preciso levar em conta que há como montar uma cena e fotografá-la, passando uma informação que não é verdadeira. Com o avanço da tecnologia, é possível manipular as fotografias, incluindo um objeto de interesse ou retirando outro que não é tão importante para o sentido que quer se dar à imagem.
A tal objetividade da fotografia deve ser questionada, levando em consideração qual é a mensagem que ela deseja transmitir, quais ângulos ela engloba e que enfoque a fotografia prioriza. Assim como nos textos, lembranças, opiniões e visões de mundo influenciam no momento da captação da imagem.
Num mundo em que as mídias são as principais fontes de experiência do novo das pessoas, é preciso olhar com cautela para a questão da objetividade jornalística. É necessário levar em conta que a opinião dos jornalistas e das empresas de comunicação reflete na informação e que o simples ato de resumir fatos, enfatizar acontecimentos e mudar a ordem cronológica deles já interfere na construção da objetividade.
Manuel Castells é considerado o principal analista da Era da Informação e da Sociedade de Rede, já tendo sido qualificado pela revista inglesa The Economist como o primeiro e mais importante filósofo do ciberespaço. No livro 'A Galáxia da Internet', ele analisa a internet como a espinha dorsal das sociedades contemporâneas e da nova economia mundial, desvendando sua lógica, suas imposições e a liberdade que ela nos dá.
Nascido em 1942, na Espanha, Castells é professor de Sociologia e Planejamento Regional da Universidade da Califórnia, Berkeley, onde ingressou em 1979, após lecionar por 12 anos na Universidade de Paris. Foi professor visitante em 15 universidades em todo o mundo e conferencista convidado de centenas de instituições acadêmicas e profissionais em mais de 35 países. Publicou 20 livros, entre os quais a famosa trilogia 'A Era da Informação: economia, sociedade e cultura'. Entre outros cargos que teve, integrou o o Grupo Especializado de Alto Nível sobre a Sociedade da Informação (1995-1997) e o Conselho Consultivo sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, no Secretariado Geral das Nações Unidas (2000-2001).
Ao longo deste 'A Galáxia da Internet', Castells chama atenção para as contradições criadas pela internet, apesar de conectar grandes massas, exclui os que a ela não têm acesso, embora promovendo a partilha das informações e criando valores independentes da posição social do usuário. As interações virtuais e on-line também podem gerar isolamento.
De que maneira a internet modela a organização dos novos negócios e remodela a organização dos mais antigos? Quais são as realidades do mundo digital? Como ela afetou a ordem social e cultural, a participação política e a comunicação e a vida urbana?
Estamos lançados aqui no cerne das grandes questões atuais: se a tecnologia da internet nos oferece os meios de coordenar tarefas e administrar situações complexas, por outro lado também subverte a ordem hierárquica que durante tanto tempo regulou a nossa sociedade. No entanto, se as instituições, as empresas e a própria sociedade sofrem a ação da lógica da rede, também podem sobre ela atuar, transformando-a. Desse modo, é possível apropriar-se da lógica da rede para modificar os eventuais aspectos excludentes da Internet.
Os dois primeiros capítulos traçam a história da ascensão da Internet e fornecem uma breve descrição da cultura que surgiu a partir de seu uso generalizado. Do capítulo 3 ao 6 discutem-se o e-business, a nova economia, os conceitos de comunidade virtual e de sociedade em rede, ao mesmo tempo que se avaliam as saídas que a Internet abre - e as que fecha - para as atuações no plano da sociedade civil e da vida privada.
O capítulo 7 dedica-se à análise da multimídia, enquanto os caítulos 8 e 9 traçam a geografia da Internet e debatem a idéia de partilha virtual. Finalmente, na conclusão, o autor lança o grande problema que ainda nos cabe enfrentar: senão reconstruirmos nossas instituições democráticas, não estaremos aptos a fazer face aos problemas criados pelas sociedades sociedades em rede.
Manuel Castells - A Galáxia da Internet

Manuel Castells oferece no livro 'A Galáxia da Internet' uma brilhante análise do desenvolvimento de uma nova sociedade, a nossa, baseada na lógica da Internet. O autor evita fazer prescrições e previsões - já houve demais delas -, preferindo apresentar dados fartos e pesquisa para nos ajudar a compreender como a Internet é o meio pelo qual nos tornamos habitantes de uma rede global.