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Jeitinho é uma forma de navegação social tipicamente brasileira, onde o indivíduo utiliza-se de recursos emocionais – apelo e chantagem emocional, laços emocionais e familiares, etc. – para obter favores para si ou para outrem. Não deve ser confundido com suborno ou corrupção.
O jeitinho caracteriza-se como ferramenta típica de indivíduos de pouca influência social. Em nada se relaciona com um sentimento revolucionário, pois aqui não há o ânimo de se mudar o status quo. O que se busca é obter um rápido favor para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada". Não deve ser confundido, porém, com malandragem, que possui seus próprios fundamentos.
Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter emocional do brasileiro, descrito como “o homem cordial” pelo antropólogo Sérgio Buarque de Hollanda. No livro “Raízes do Brasil”, este autor afirma que o indivíduo brasileiro teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deva-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral, não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência fratricida observada na época do Brasil Império, tendência esta bem ilustradas pelos episódios conhecidos com Guerra dos Farrapos e Confederação do Equador.
A televisão surge, no contexto do mundo moderno, como uma referência para as pessoas que se sentiam perdidas nas grandes cidades. No caso do Brasil, essas características, aliadas ao discurso voltado quase que exclusivamente para a emoção, explicam o poder de penetração do veículo na nossa sociedade. Assim, a TV entra no Brasil, nos anos 50, como uma forma de suprir a demanda de um país que estava se tornando industrial e urbano. Se sentindo desamparadas, essas pessoas adotam o televisor como uma companhia para todos os momentos.
O poder da tela é tão grande que nem nós damos conta da influência que ela tem em nossas vidas. Com as imagens, mergulhamos em experiências totalmente novas. A imensa quantidade de informações visuais que o telespectador passa a ter contato diariamente faz com que o entendimento de mundo dele mude. Ele se sente parte dos acontecimentos registrados pela câmera, já que a própria televisão passa a impressão de que ele é uma testemunha ocular de tal fato.
Por isso, um meio tão complexo e que tem o poder de atingir tantas pessoas ao redor do mundo deve ser analisado com muita cautela. A televisão e os produtos que surgem a partir dela são consumidos em todos os cantos do planeta e fazer um estudo consistente demanda uma análise profunda sobre as suas características. É necessário evitar a unilateralidade e a parcialidade. Através disso, fugimos de visões reducionistas e chegamos ao objetivo principal, que é entender como funciona uma produção cultural tão apreciada dentro da nossa sociedade.